domingo, 18 de março de 2012

Pausa

Confesso que pensei seriamente em terminar de vez com este blogue, mas depois apercebi-me que fazer isso seria matar uma pequena parte de mim mesma. Assim sendo, tomei outra resolução: se não escrevo, não posto. Simples. 

Portanto, o blogue estará em interregno durante não sei quanto tempo. Talvez semanas, talvez eternamente. Não o sei. Enquanto a pausa durar, os queridos leitores podem seguir-me no High Voltage Reading.

Até já.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

É nada... Não nos diga...

Imagem via Living Plus (depois editada por mim)

O senhor primeiro-ministro teve a gentileza de informar os professores portugueses que fossem dar aulas para outro país de língua portuguesa, nomeadamente Brasil ou Angola, porque aqui na nossa pátria não há emprego que se arranje. É nada, senhor primeiro-ministro! Não nos diga! Apanhou-nos realmente de surpresa com essa sua genial constatação do óbvio.

Esta declaração por parte do primeiro-ministro gerou imensa polémica, o que é de se esperar. Uma pessoa claro que há-de ficar indignada, não só por estar a ser expulsa do país, mas por não poder agarrar essa oportunidade porque os bilhetes de avião custam os olhos da cara. O pobre senhor somente quer o bem – e vou mais longe ao afirmar que não quer o bem, mas o melhor para o seu querido povo.

Posto isto, as vantagens de os professores emigrarem para o Brasil são, como o próprio nome indica, vantajosas. Senão analisemos, caros leitores, essas mesmas vantagens e chegaremos à conclusão brilhante de que o primeiro-ministro é o melhor primeiro-ministro de sempre, que a humanidade já viu.

Eis uma pequena listagem das referidas vantagens: o Estado gastará menos dinheiro com subsídios de desemprego, haverá menos professores desgostosos da vida por não terem trabalho na sua área de formação e, em última análise, o índice de desemprego diminui. Em contrapartida, os professores vão para países com um clima melhor que o nosso.

Vamos afirmar, então, que este nosso primeiro-ministro é deveras um político sensato. Se o primeiro-ministro tiver a fortuna de ler isto no seu ipad (porque os nossos impostos pagaram-lhe o ipad, e eu tenho de me contentar com um portátil), ou ainda mesmo um seu conhecido, eu ofereço-me de boa e livre vontade para elencar uma lista de sugestões de professores que, na minha muito humilde opinião, deveriam dar aulas longe daqui.

E isto traria, igualmente, as suas vantagens: os maus professores iam-se embora, eram substituídos por bons professores, os alunos ficavam alegres e motivados, tinham melhores notas e, consequentemente, Portugal teria mais mão-de-obra qualificada, que é sinónimo de desenvolvimento – que é, suponho, que o primeiro-ministro quer.

Realmente, estas ideias do senhor primeiro-ministro são verdadeiramente estonteantes – mais um bocado, da maneira que como as coisas estão a andar e da maneira como o povo anda contente, quem emigrará é o nosso saudoso primeiro-ministro, mas para fora do governo…

"Hate the sin, not the sinner" 

*Aproveito para desejar aos leitores um óptimo Natal.